EDITORIAL


E quase vertiginosamente tivemos de reaprender a saber estar, até a saber fazer, mas mais ainda, a saber ser.

A saber estar, porque uma imensidão de procedimentos, boa parte de mero bom senso, e acredito que maioritariamente definidores da nossa postura, emergiram numa exigência de tal inflexibilidade, que a muitos terá a primeira impressão da sua incontornável necessidade, deixado uma sensação que estaríamos em permanente status quo de redundante irresponsabilidade. O que creio ter acontecido foi o nível a atingir na exigência, reclamar outro detalhe que o tempo antes não reclamava, como por exemplo na etiqueta respiratória.

A saber fazer, porque novas competências individuais e coletivas passaram a fazer parte do nosso quotidiano e a condicionarem o saber estar, mas simultaneamente a elevarem a exigência no nível a atingir. Competências quase primárias, de execução quase inata, como lavar as mãos, ou higienizar ou desinfetar mais amiúde espaços, equipamentos e materiais usados por gente da mesma família, por amigos, por conhecidos, por companheiros profissionais, por desconhecidos. Estou em crer que a quase todos, aconteceu como ao poeta, primeiro estranhou-se, depois entranhou-se.

A saber ser, porque não posso concordar mais com o que ouvi, ou li, algures, a alguém, em comentários transversais à emergência COVID-19 e que referia que, não era rigoroso dizer-se que estávamos todos no mesmo barco, talvez no mesmo oceano, mas nunca no mesmo barco, e acrescento eu que, no mesmo oceano, mas não a poucas milhas náuticas de afastamento. No mesmo oceano, conforme a ondulação, também a exigência da resistência do barco é diferente.

E resistir foi só um dos verbos que tivemos de reaprender para saber ser, não que o não fizéssemos já, uns mais, outros menos, conforme os oceanos onde temos navegado e os barcos que temos podido usar, mas pela já referida exigência que a designada “nova normalidade” fez desabar sobre o nosso quotidiano. Para os FORTES e LEAIS foi mais uma missão, mais um desafio, mais uma oportunidade de nos reinventarmos, e com a disponibilidade que é apanágio dos militares, apoiarmos os nossos concidadãos, mesmo além da nossa Área de Responsabilidade, em prol da missão da Brigada de Reação Rápida, do Comando das Forças Terrestres, do Exército, e das Forças Armadas, em apoio das autoridades nacionais.

E até agora, a ação do Regimento passou por cedência de equipamentos e materiais a diversos municípios, pelo aprontamento de um Centro de Acolhimento para apoio ao Serviço Nacional de Saúde, pela constituição de Equipas de Desinfeção e Equipas de Sensibilização e Demonstração de Desinfeção que têm vindo a atuar nas escolas, a constituição de um Centro Logístico e consequente distribuição de equipamentos e materiais em estabelecimentos de ensino.

Pode parecer que a Missão está cumprida … NÃO … isto ainda não acabou …!!!



Carlos Manuel da Silva Caravela
Coronel de Artilharia

NOTÍCIAS


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REGIMENTO DE ARTILHARIA N.º 4 ATIVA PLANO DE CONTINGÊNCIA

No dia 9 de março de 2020, o Exército ativou o seu Plano de Contingência para fazer face à pandemia da COVID-19 que assolou latitudes e longitudes por todo o planeta. O objetivo foi salvaguardar a saúde dos militares e civis da Instituição, preservando assim o potencial humano e consequentemente garantir capacidade de resposta do Exército no apoio das Forças Armadas às autoridades nacionais, bem assim como o cumprimento das missões do Exército.

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VISITA TÉCNICA AO CENTRO DE ACOLHIMENTO COVID-19

O Exército recebeu no dia 24 de abril, nas instalações do Regimento de Artilharia N.º 4 (RA4), mais uma visita técnica ao Centro de Acolhimento COVID-19 (CA/RA4) ali levantado. A visita, conduzida pelo 2.º Comandante do Regimento, acompanhado do Oficial Superior de Assistência da Célula de Resposta do RA4, permitiu que uma extensa deputação, que integrava o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Leiria, o Sr. Comandante Distrital de Operaç

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RECONHECIMENTO DE ESTABELECIMENTOS DE ENSINO

O Exército, através do Regimento de Artilharia N.º 4, efetuou em 28 de abril de 2020 reconhecimentos a três estabelecimentos de ensino, com a finalidade de contribuir para a mitigação dos riscos de propagação da COVID 19, associados à retoma das atividades letivas presenciais.

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VISITA DO EXMO. SECRETÁRIO DE ESTADO COORDENADOR REGIONAL

O Exército recebeu no dia 29 de abril, nas instalações do Regimento de Artilharia N.º 4, o Exmo. Secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, enquanto Coordenador Regional da Região Centro no combate à COVID-19. A presença da Alta Entidade no Regimento, que foi acompanhada pelo Exmo. Comandante da Brigada de Reação Rápida, Coronel Tirocinado Ferreira Duarte, pelo Comando, e pela Célula de Resposta à COVID-19, do Regimento, e pelo Oficial de Ligação das

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TREINO DAS EQUIPAS DE DESINFEÇÃO DO REGIMENTO

Na sequência da ação de formação para os militares que integram as Equipas de Desinfeção do Exército, no dia 4 de maio, os militares do Regimento de Artilharia N.º 4 que constituem as duas equipas pertencentes à Unidade, levaram a efeito o terceiro treino pós-formação onde foram operacionalizados alguns dos procedimentos de limpeza e desinfeção ambiental com o objetivo de consolidar técnicas e procedimentos adotados, bem como o equipar e desequipar com o equipamento de proteção individual, com vista à colaboração no combate à emergência COVID-19, em apoio dos portugueses e diversas instituições do país.

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AÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO EM ESTABELECIMENTOS DE ENSINO

O Exército, através do Regimento de Artilharia N.º 4, efetuou nos dias 5, 6 e 7 de maio de 2020 ações de sensibilização em dez estabelecimentos de ensino, com a finalidade de divulgar boas práticas de procedimentos higiénico–sanitários associados à retoma das atividades letivas presenciais.

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EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL PARA DISTRIBUIÇÃO A ESTABELECIMENTOS DE ENSINO

O Exército recebeu, nas instalações do Regimento de Artilharia N.º 4, em 8 de maio de 2020, equipamentos de proteção individual e desinfetantes de base alcoólica, com vista à sua distribuição, entre 11 e 15 de maio, a 19 Estabelecimentos de Ensino. Esta atividade enquadra-se no apoio das Forças Armadas ao Ministério de Educação, para a distribuição daqueles equipamentos e produtos aos Estabelecimentos

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AÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO E DEMONSTRAÇÃO DE DESINFEÇÃO EM ESTABELECIMENTOS DE ENSINO

Em Apoio ao Ministério da Educação, o Exército, através do Regimento de Artilharia N.º 4, no período de 11 a 15 de maio de 2020, efetuou ações de sensibilização em nove estabelecimentos de ensino secundário, com a finalidade de divulgar boas práticas de procedimentos higiénico–sanitários associados à retoma das atividades letivas presenciais.

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DISTRIBUIÇÃO DE EPI E SABA AOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO SECUNDÁRIO

No âmbito do apoio das Forças Armadas ao Ministério de Educação, o Exército efetuou, através do Regimento de Artilharia N.º 4, durante a semana de 11 a 15 de maio de 2020, a distribuição de equipamentos de proteção individual e desinfetantes de base alcoólica, por dezanove Estabelecimentos de Ensino Secundário.

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MILITARES DO "4" EXECUTAM NOVO TREINO DAS EQUIPAS DE DESINFEÇÃO

Na sequência da ação de formação para militares a integrarem Equipas de Desinfeção do Exército, ocorrida no Regimento de Engenharia N.º 3, no dia 23 de abril, os militares do Regimento de Artilharia N.º 4 que constituem as duas equipas pertencentes à Unidade, em 13 de maio de 2020, efetuaram novo treino pós-formação onde foram operacionalizados algun

APOIOS COVID-19


14MAR20

Cedência de uma rede de camuflagem ao Hospital de Santo André, Leiria.

24MAR20

Cedência de 3 viaturas Toyota Land Cruiser ao Regimento de Comandos, Lisboa.

25MAR20

Reforço com seis Praças e viatura ATEGO ao Agrupamento Sanitário, Tancos.

30MAR20

Cedência de conjunto de 80 camas, colchões e estrados à Câmara Municipal da Marinha Grande.

06ABR20

Cedência de conjunto de 80 camas e colchões à Câmara Municipal de Oliveira do Bairro.

06ABR20

Cedência de conjunto de 40 camas e colchões às Câmaras Municipais de Nazaré e Pedrogão Grande.

06ABR20

Reforço com o Enfermeiro da Unidade ao Hopsital das Forças Armadas, Pólo do Porto.

07ABR20

Cedência de tenda de 3 arcos à Câmara Municipal de Castanheira de Pêra.

22ABR20

Reforço com socorrista ao Hospital das Forças Armadas, Pólo de Lisboa.

AGENDA


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HERÁLDICA


Armas:

Escudo de oiro, um leão de negro, animado, lampassado e armado de vermelho; franco-cantão de vermelho com uma flor de lis de prata.

Elmo militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra. Correia de vermelho perfilada de oiro.

Timbre: dois canhões passados em aspa, sustendo um castelo, tudo de prata.

Condecorações: circundando o escudo, o Colar de Oficial da Ordem de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

Divisa: Num listel de branco, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de negro, maiúsculas, de estilo elzevir “FORTES E LEAIS”. Simbologia e alusão das peças:

O LEÃO evoca os campos de batalha de Flandres onde, durante a I Guerra Mundial, as Baterias do Regimento de Obuses de Campanha (ROC) praticaram brilhantes feitos de armas e evidenciaram excecional valor, coragem e decisão que o 1.º Grupo de Batarias de Artilharia demonstrou por ocasião da Batalha de 9 de abril, opondo com o seu fogo tenaz resistência ao avanço do inimigo, até ao total esgotamento das suas munições.

A FLOR DE LIS alude à cidade de Leiria onde, em 1926, o ROC e o 2.º Grupo do RA2 originaram o RA4, que no ano seguinte se transformou em Regimento de Artilharia Ligeira N.º 4 (RAL4) e, em 1975, passou a designar-se Regimento de Artilharia de Leiria (RAL).

TIMBRE recorda o ROC de Castelo Branco, origem do RAL e cujo comportamento em combate acresceu lustre e glória ao historial do Exército Português.

A DIVISA “FORTES E LEAIS” exprime a intenção de cultivar em permanência a força de ânimo como fator essencial para poder cumprir com lealdade.

Os esmaltes significam:

O OIRO, a força de ânimo demonstrada nos feitos de armas praticados.

A PRATA, a riqueza do historial do seu comportamento em combate.

O NEGRO, a constância demonstrada nas horas amargas da adversidade.


RESENHA HISTÓRICA


Na sequência da Organização Geral do Exército, ocorrida em 1911, o 1.º Batalhão de Obuses de Campanha adstrito ao Regimento de Artilharia N.º 6, de Gaia, e o 2.º Batalhão de Obuses de Campanha adstrito ao Regimento de Artilharia N.º 5, de Viana do Castelo, vão dar origem, em 1917, ao ROC, na cidade de Castelo Branco.

Em 01 de outubro de 1926, o ROC é transferido para Leiria onde, juntamente com o 2.º Grupo do Regimento de Artilharia N.º 2, já aquartelado nesta cidade nos edifícios do antigo Paço Episcopal, constituem o RA4. Em 29 de junho de 1927 o Regimento recebe a designação de RAL4 continuando no aquartelamento de S. Pedro (antigo Paço Episcopal), junto do castelo. Naquele tempo o RAL4 foi equipado com o Obus 7,5 cm TR m/904. Em 1943, chega ao Regimento o primeiro material de tração auto, o Obus 8,8 cm m/943, rebocado pela viatura MORRIS. Este material coexistia com o Obus 7,5 hipomóvel. Mais tarde, foram substituídos pelos Obuses K e R 10,5 cm/28 m/41 que, com as modificações realizadas em 1952 (nomeadamente no tubo) permanecem na Unidade até 1978.

Entretanto, em 1955, coube ao RAL4 a responsabilidade de construir, para a 3.ª Divisão (SHAPE), no sentido de fazer face aos compromissos internacionais, um Comando de Artilharia Divisionária e os Grupos de Artilharia de Campanha (GAC) 1 e 2. Para este efeito recebeu, a Unidade, um enorme volume de material, nomeadamente de transmissões e cerca de 300 viaturas. Para satisfazer as necessidades de parquear todas elas foi necessário utilizar “as paradas do Quartel do RI7 (Cruz d’Areia) e do antigo Hospital Militar, no convento de S. António dos Capuchos, onde as viaturas ficavam estacionadas roda a roda."

Entre 1955 e 1960, existem diversas referências sobre a participação dos militares do RAL4 em exercícios da Divisão, demonstrando um “elevado grau de especialização e treino, nomeadamente nas especialidades de PCT, Topografia e Transmissões. Ocasiões houve em que praticamente todas as ligações, do Comando da Divisão com as Unidades de manobra, eram asseguradas pelos meios artilheiros presentes.”

No ano de 1961, com o início das operações no Norte de Angola, o RAL4 teve que mobilizar 3 Baterias de Artilharia, com organização tipo infantaria. Foram mobilizadas Companhias de Artilharia: a CArt 101 e a CArt 119, ambas para Angola, e a CArt 178 para Moçambique.

Em 1963, o RAL4 passou a Centro de Instrução Nacional de Amanuenses e Escriturários, os quais, na sua quase totalidade, integravam, depois da instrução, as várias Unidades com destino a Ultramar.

Por ser uma Unidade essencialmente de Instrução, o RAL4 não foi envolvido nos acontecimentos do 25 de abril de 1974. Apesar de tudo viveu, no seu interior, algumas tensões provocadas por grupos extremistas.

Em 01 de maio de 1975, o Regimento passa a designar-se por RAL e transfere-se para as atuais instalações da Cruz de Areia, antigo quartel do Regimento de Infantaria N.º 7, entretanto extinto.

Em 1976, no âmbito da reestruturação do Exército, é decidido criar a 1.ª Brigada Mista Independente, não só para satisfazer compromissos internacionais, como para incentivar a melhoria da preparação técnica e tácita dos seus militares. Ao RAL é cometida a responsabilidade de levantar o seu GAC. Assim, em 01ABR77, juram bandeira os recrutas do 1.º turno da ER-77 que integraram a 1.ª Bateria de Bocas de Fogo (1Btrbf). As escolas de recrutas seguintes servem para alimentar o levantamento da Bateria de Comando e das 2.ª e 3.ª Btrbf. Em maio de 1979, é recebido o novo Obus 105mm/22 M101A1 para equipar as Btrbf.

O GAC da 1.ª BMI permanece no RAL até 10ABR91, data em que é definitivamente transferido para as atuais instalações no Quartel da Artilharia, no Campo Militar de Santa Margarida. O RAL entra num período essencialmente voltado para a instrução, nomeadamente de condutores.

Em 1993, o RAL recebe a designação de Regimento de Artilharia N.º 4, continuando sediado no quartel da Cruz da Areia, em Leiria.

Mais recentemente, é cometido ao Regimento a formação e enquadramento do GAC da Brigada Aerotransportada Independente (BAI). Assim, a 26NOV96 é transferida para a Unidade a 1Btrbf, iniciando-se depois a constituição das restantes baterias. Esta Btrbf estava inicialmente equipada com o Obus M101A1, tendo sido substituído, em 1998, pelo Obus M119 105mm/30/ m98 Light Gun, material este que equipa atualmente todas as Btrbf do Grupo. Em maio de 2004, o GAC é transferido para o Comando da Brigada de Intervenção (BrigInt), passando a ser a unidade de apoio de fogos desta Brigada. Em julho de 2008 é transferido para a Brigada de Reação Rápida (BrigRR), herdeira das unidades da extinta BAI, a qual integra, atualmente.

Dia festivo O Dia da Unidade é comemorado, por Despacho N.º 29 de 19 de fevereiro de 1990 de S.Exa. o General CEME (Ordem do Exército N.º 3, 1.ª Série de março de 1990) a 29 de junho, data do Decreto-Lei que, em 1927 concede pela 1.ª vez à cidade de Leiria um Regimento de Artilharia.


TOPONÍMIA


Parada General Barros Rodrigues

O General José Filipe de Barros Rodrigues (1890 – 1957), foi mobilizado para a guerra em França como Alferes da 3.ª Bataria do 1.º Grupo de Batarias de Artilharia (1.º GBA) do Corpo Expedicionário Português (CEP). Embarcou em 31 de março de 1917 e foi promovido a Tenente em outubro desse ano. No combate de 9 de abril de 1918 (Batalha de “La Lys”) era Comandante da 3.ª Bataria do 1.º GBA que apoiava a 6.ª Brigada de Infantaria na defesa do setor de Neuve Chapelle. A Bataria do Tenente Barros Rodrigues era a mais avançada do Grupo e apesar de ter sofrido muitas baixas durante a madrugada, pelo fogo da artilharia alemã, permaneceu na sua posição até às 11h00 da manhã, quando os nossos infantes, em retirada, passaram pela sua Bataria, informando que os alemães vinham avançando e estavam já próximos da Bataria.

Apesar da sua Bataria ser a mais avançada, foi a última do seu Grupo a retirar, permanecendo em posição a fazer fogo até esgotar as munições. O Tenente Barros Rodrigues foi condecorado com a Cruz de Guerra de 2.ª Classe e após o fim da guerra foi promovido a Capitão por distinção e condecorado com o grau de Oficial da Ordem da Torre e Espada do Valor Lealdade e Mérito “pela energia e dedicação pelo serviço que sempre demonstrou durante a sua longa permanência nas linhas como Comandante de Bataria, evidenciando o seu sangue frio e coragem nos momentos de perigo e altas qualidades de comando, designadamente no combate de 9 de Abril de 1918, em que tendo a sua posição próximo de Croix Barbée nela se conservou até se esgotarem as munições, sendo a última Bataria do 1.º GBA a cessar fogo, apesar do inimigo estar próximo da posição, e dando ordem de retirada ao pessoal do seu comando procurou ainda, através dos campos, juntar-se a qualquer outra Bataria, indo depois à sede da 6.ª Brigada de Infantaria que encontrou destruída retirando então para junto do Comando da Artilharia da 2.ª Divisão.” O 1.º GBA onde serviu Barros Rodrigues, foi também condecorado com a medalha de Cruz de Guerra de 1.ª Classe e esta condecoração foi herdada pelo Regimento de Artilharia N.º 4 (Leiria), após a extinção do Regimento de Artilharia N.º 2 (RA2).

José Filipe de Barros Rodrigues era natural de Vila Real de Trás-os-Montes, e após frequentar o Colégio Militar escolheu a carreira das armas, ingressando no curso de Artilharia, na Escola do Exército. Tinha 27 anos quando foi mobilizado pelo RA2, integrando o 1.º GBA do CEP, que embarcou para França. A experiência que viveu na guerra enriqueceu o seu espírito de missão e o seu caráter, que aliados às suas qualidades intelectuais, o guiaram no desenvolvimento de uma carreira brilhante até General.

Em 1927, já como Major, foi nomeado professor na Escola Militar (atual Academia Militar), onde esteve durante 12 anos. Como Tenente-Coronel foi Chefe da Divisão de Fotogrametria, dos Serviços Cartográficos do Exército, e professor do Curso de Estado-Maior da Escola Central de Oficiais.

Em 1938, já Coronel, foi Chefe do Estado-Maior da Missão Militar Portuguesa de Observação durante a Guerra Civil de Espanha, e Procurador à Câmara Corporativa por designação do Conselho Corporativo, fazendo parte da Secção de Defesa Nacional durante duas legislaturas: a primeira entre 1935 e 1938 e a segunda entre 1938 e 1942.

Como General foi nomeado Chefe do Estado-Maior do Exército na fase final da 2.ª Guerra Mundial (1945), cargo em que teve um papel importante na cedência da Ilha Terceira aos Estados Unidos da América, para a utilização da Base das Lages, nos Açores. Dez anos depois, em 1955, ainda como Chefe do Estado-Maior do Exército, deslocou-se a Goa, para avaliar a situação militar num momento de grande ameaça externa à soberania portuguesa, em que foi necessário reforçar o dispositivo militar na India portuguesa.

Passou à situação de reserva em 31 de agosto de 1955, ano a partir do qual foi Presidente da Comissão de História Militar e Vogal do Conselho da Ordem de Torre e Espada até 1957, data em que faleceu com 66 anos de idade.

Ao longo da sua carreira foi agraciado com diversas condecorações, das quais se destacam: Grau de Grande Oficial e Comendador da Ordem Militar de Avis; Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito; Cruz de Guerra 2.ª Classe; Medalha de Ouro da Classe de Bons Serviços, com palma; três Medalhas de Prata da Classe de Bons Serviços, uma delas com palma; Medalha de Mérito Militar 1.ª Classe; Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar; Medalha Comemorativa das Campanhas do Exército Português “França 1917-1918”; Medalha da Vitória; em Espanha Grã-Cruz de Mérito Militar 2.ª Classe com Distintivo Branco, Comendador com placa da Ordem Imperial del Yugo e las Flechas, Cruz Roja del Mérito Militar e Medalha de la Campaña; nos Estados Unidos da América Comendador da Legião de Mérito; em Marrocos Comendador da Ordem de Mehadania e Grande Oficial da Ordem de Ouisssam Alaonite Sherifiem do Sultão; no Reino-Unido Comendador da Ordem do Império Britânico.



Parada Sargento António Martins

O Primeiro-Sargento António Martins (1887 – 1955) revelou grande coragem e extraordinárias qualidades de liderança durante a Batalha de “La Lys”, em 9 de abril de 1918, como Comandante de Secção da 1.ª Bataria, do 5.º Grupo de Batarias de Artilharia (5.º GBA), que estava em apoio à 5.ª Brigada de Infantaria, da 2.ª Divisão, do Corpo Expedicionário Português (CEP), na defesa do setor de Ferme du Bois. O Sargento António Martins era Chefe de Peça (Comandante de Secção na designação atual), e apesar de estar debaixo de intenso fogo da artilharia alemã (desde as 04h30 da madrugada), permaneceu na posição com os seus Soldados, até às 12h00, quando foi cercado pela infantaria alemã, que surgiu pela retaguarda da sua posição (à retaguarda do posto de Chavattes). Capturado pelos alemães, o Segundo-Sargento António Martins, juntamente com alguns Soldados, chegou a ser encostado a uma parede para ser fuzilado, mas tal não aconteceu tendo sido feito prisioneiro dos alemães.

O Sargento António Martins nasceu em 1887, na aldeia de Vilar de Cunhos, do concelho de Cabeceiras de Basto (distrito de Braga), e assentou praça em 1907, no Regimento de Artilharia N.º 4 (Amarante). Em 1914 foi mobilizado para Angola como Cabo da Bataria de Artilharia de Montanha, que combateu nos Cuamatos e nos Cuanhamas, e regressou à metrópole em dezembro de 1915. Em 1916 foi promovido a Segundo-Sargento e integrou o CEP, embarcando para França em agosto de 1917, mobilizado pelo Regimento de Artilharia N.º 4. Já em França serviu no 6.º GBA e no 5.º GBA, até ter sido feito prisioneiro a 9 de abril de 1918 e enviado para o campo de prisioneiros de guerra em Dulmen, na Alemanha, onde esteve até 30 de janeiro de 1919, sendo repatriado para Portugal em fevereiro desse ano.

Foi condecorado com a medalha de Cruz de Guerra 3.ª Classe “por no 9 de abril se conservar sempre ao pé da sua peça, sendo o último a retirar do abrigo e depois de inutilizar a peça.”

Pelo extraordinário desempenho, durante o combate de 9 de abril de 1918 (Batalha de “La Lys”), a sua Bataria foi também condecorada com a medalha de Cruz de Guerra de 1.ª Classe, pela bravura e serenidade que demonstrou na batalha de 9 de abril de 1918, mantendo-se na sua posição, debaixo do bombardeamento, procurando com o seu fogo opor resistência ao avanço inimigo até ser envolvida pelo inimigo. A Bataria em que servia o Sargento Martins estava dedicada a apoiar o Batalhão de Infantaria N.º 10 (BI 10 de Bragança) e manteve o fogo entre as 04h30 m e as 08h00 da manhã, até esgotar as munições. Chegou a fazer tiro direto perante o avanço da infantaria alemã e perdeu duas peças destruídas pela contrabateria alemã.

Após a guerra foi promovido a Primeiro-Sargento, em 1920, e fez a sua carreira profissional como Primeiro-Sargento de Artilharia até ser aposentado em 1940.



Campo de Obstáculos Soldado Augusto Moreira

O Soldado Guilherme Augusto Moreira pertencia ao 3.º Grupo de Batarias de Artilharia (3.º GBA), do Corpo Expedicionário Português (CEP), em apoio da 2.ª Brigada (setor de Neuve Chapelle), e mostrou grande coragem e abnegação no dia 14 de agosto de 1917, quando os alemães realizaram um raid ofensivo, sobre o setor português em Fauquissart e Neuve Chapelle, precedido de um violento bombardeamento sobre a nossa Artilharia. A nossa Artilharia apesar de estar debaixo do fogo das Batarias alemãs, respondeu com eficácia no apoio à nossa Infantaria nas linhas da frente, e foi nesta situação que se destingiu o artilheiro Guilherme Moreira “porque na madrugada de 14 de Agosto de 1917, estando a sua Bataria a ser rijamente bombardeada, não hesitou em acompanhar o respetivo comandante para junto das peças através da barragem, saindo do abrigo afim de acudir ao pedido de S.O.S. feito pela infantaria, demonstrando muita coragem”. Foi louvado também “pela dedicação e competência como desempenhou as funções de apontador da sua peça, na França” e por isso foi condecorado com a medalha de Cobre da Classe de Bons Serviços, com Palma e Cruz de Guerra.

Os três Grupos de Artilharia da 1.ª Divisão (1.º, 2.º e 3.º GBA) sofreram o fogo da Artilharia inimiga, mas o 3.º GBA destacou-se de modo especial, sendo louvado pelo Comandante da Divisão pela ação dos seus militares, durante este ataque alemão de 14 de agosto.

O Soldado Augusto Moreira nasceu em 1895, em Olival Basto, freguesia de Godim, concelho de Peso da Régua, e assentou praça em 1915, no Regimento de Artilharia N.º 4 (Amarante). Em 1917 foi transferido para o Regimento de Artilharia N.º 3 (Santarém) para integrar o 3.º GBA do CEP, que embarcou para França em abril de 1917. O Soldado Guilherme Morreira regressou a Portugal em novembro de 1918, após ter estado de baixa por motivos de saúde durante alguns meses em França.

Após a guerra, em 1919 ingressou no Corpo de Policia Cívica do Porto, mais tarde Polícia de Segurança Pública, onde fez a sua carreira profissional até ser aposentado em 1939.



Sala de Operações Major Seabra da Silva

O Major de Artilharia Pedro José Fernandes Seabra da Silva, foi incorporado na Escola Prática de Cavalaria, em julho de 1989, tendo no início da sua carreira militar prestado serviço em unidades de Cavalaria, vindo a ingressar na Academia Militar em 1993, e concluindo a licenciatura em Ciências Militares - Artilharia em 1998. Colocado, nesse mesmo ano, no Regimento de Artilharia N.º 4 (RA4), integrou a 1.ª Bataria de Bocas de Fogo, que se encontrava em preparação para participar no exercício internacional “ARDENT GROUND 99”, onde demonstrou as suas qualidades técnico-profissionais nas funções de Chefe de Posto Central de Tiro, para atingir os padrões NATO, que permitiriam à sua Bataria representar Portugal nesse fórum.

Após esse período, e fruto da sua reconhecida responsabilidade profissional, foi chamado a participar no levantamento da 2.ª Bataria de Bocas de Fogo, para o Grupo de Artilharia de Campanha da Brigada Aerotransportada Independe, onde foi esmero na execução das inúmeras tarefas que lhe foram acometidas, permitindo-lhe granjear o respeito junto dos seus pares e reconhecimento junto dos seus inferiores hierárquicos.

Obtendo a qualificação Paraquedista, em 2002 integrou o 2.º Batalhão de Infantaria Paraquedista que participou na Força de Manutenção de Paz, em Apoio das Nações Unidas, em Timor Leste, como Analista da Secção de Informações, sendo reconhecidos os seus feitos pela atribuição de público louvor, onde se realça a sua disponibilidade, e o espírito de responsabilidade e de bem servir.

Entretanto colocado no Regimento de Artilharia N.º 5, comandou a 2.ª Bataria de Bocas de Fogo, e em acumulação a Bateria de Salvas, com participação em inúmeros exercícios, a maior parte com fogo real de obus, sendo de realçar que durante este período se realizou o “EURO 2004”, obrigando a um grande número de cerimónias e demonstrações, onde ficaram bem patentes as sua coragem moral e fidelidade ao serviço.

Em novo cargo é de grande destaque o papel que teve, como Comandante da 1.ª Bataria de Formação de Praças, numa altura de grandes desafios para o Exército, com a extinção do serviço militar obrigatório e a transição para um regime de voluntariado, novo desafio que ajudou a ultrapassar com assinalável êxito.

Já como Oficial Superior, e fruto dos seus conhecimentos na área da formação, desempenhou um cargo na International Security Assistance Force, força internacional da NATO no Afeganistão, onde foi responsável por coordenar todas as atividades relacionadas com o treino dos militares da Aliança Atlântica, recém-chegados ao Teatro de Operações, de forma eficiente e atempada, permitindo a sua ação que os Comandos de Brunssum, de Stavanger e de Heidelberg realizassem exercícios ajustados à realidade do Teatro de Operações do Afeganistão. De regresso a Portugal, desempenhou funções no Comando do Pessoal, como Chefe da Subsecção de Missões, Cargos e Cursos, realizando um trabalho metódico, de sistematização e controlo, que atestou adequada proficiência de todos os militares nomeados para missões e cargos no exterior. Foi ainda Chefe da Secção de Gestão de Carreiras Militares, onde com o seu sentido de lealdade, transparência e sensatez coadjuvou os seus superiores hierárquicos nas melhores decisões no âmbito da administração dos recursos humanos do Exército.

Regressando à sua primeira colocação, o RA4, desempenhou funções de Chefe da Secção de Pessoal, onde através dos seus conhecimentos e métodos conseguiu o cumprimento rigoroso, metódico e atempado dos prazos e procedimentos prescritos no processamento de toda a documentação, relacionada com a gestão dos recursos humanos da Unidade.

Desempenhou novamente funções na NATO, desta feita no Teatro de Operações do Kosovo, como Chefe das Operações Logísticas, empenhando-se na revisão e atualização das Normas de Execução Permanente de carácter logístico, e criando sinergias entre os intervenientes no fluxo logístico, para um otimizado canal logístico da Kosovo Force.

De regresso ao QUATRO de Artilharia, é nomeado Oficial de Apoio de Fogos, da Brigada de Reação Rápida, sendo o seu desempenho reconhecido no seio do Grupo de Artilharia de Campanha 10.5 Rebocado (GAC 10,5 Reb) e da Brigada, em muito fruto dos seus profundos conhecimentos doutrinários, técnicos e táticos na arma de Artilharia. É em acumulação nomeado para o integrar o European Union Battlegroup, num cargo da área logística, demonstrando mais uma vez a sua assinalável capacidade de adaptação em ambiente multinacional.

No início de 2017 é nomeado por escolha para o cargo de 2.º Comandante do GAC 10,5 Reb, fruto do seu reconhecido mérito, dirigindo, coordenando e supervisionando as atividades do Estado-Maior, e traduzindo-se num elemento aglutinador dos seus colaboradores e demonstrando uma lealdade extrema para com os seus comandantes. Ao longo da sua carreira foi agraciado com diversas condecorações, das quais se destacam, a Cruz de São Jorge, a medalha de D. Afonso Henriques, e várias medalhas Comemorativas de Comissões de Serviços Especiais.

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