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   46.          Cultura & Lazer


                ROTEIROS MILITARES







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                                                                                  que “De Marvão vê-se a terra toda…” e só
                                                                                  por isso e pela beleza natural subjacente,
                                                                                  a que se junta a arquitetónica, vale a pena
                                                                                  visitar esta pequena urbe que conserva e
                                                                                  concilia, e muito bem, as características
                                                                                  medievais iniciais com as de tempos mais
                                                                                  modernos, que nos levam, facilmente,
                                                                                  numa viagem ao passado. Esta poderá ter
                                                                                  início nas Portas do Ródão, um dos dois
                                                                                  acessos à vila.
                                                                                     Nesta  entrada  depara-se  com  o  pos-
                                                                                  to de turismo, primeira paragem para
                                                                                  recolher toda a informação útil à visita.
                                                                                  Tem, então, duas opções. Subir logo ali
                                                                                  ao  adarve** e percorrer toda a extensão
                                                                                  da cerca urbana, contemplando do lado
                                                                                  exterior a paisagem natural e do outro,
                                                                                  o baixo casario marcado pela alvura das
                                                                                  paredes e pelo tom avermelhado das
            Vista aérea das escarpas e vila de Marvão, Fonte: Câmara Municipal de Marvão  telhas ou optar por percorrer o traçado
                                                                     longo  e  estreito  das  ruas  da  vila, tão  característico  de
            Praça-Forte de Marvão                                    um burgo medieval.

            O Altaneiro Burgo Medieval                                  Neste caso, comece descendo a Rua de Baixo. Mais
                                                                     à frente, em diferentes pontos, sempre que o queira
                                                                     fazer, poderá optar por subir às muralhas. Ambas as
               Lendária pela sua inexpugnabilidade e pelo amplo      opções irão conduzir às Portas da Vila, durante séculos
            panorama que dela se desfruta, Marvão é uma das quatro   o acesso principal à urbe, distinção que perdeu mais
            praças-fortes que integra a candidatura à UNESCO de-     recentemente para as do Ródão.
            nominada  Fortalezas Abaluartadas da Raia e é também        Foi junto às Portas da Vila que se deu, em 1705, um
            a última delas a constar nos nossos Roteiros Militares.  combate  que  permitiu  a  recuperação  de  Marvão,  ocu-
               Construída lá bem no alto de um afloramento quart-    pada por tropas espanholas, no contexto da Guerra da
            zítico, parte integrante do Parque Natural da Serra de   Sucessão de Espanha.
            São Mamede, a sua fundação está associada a um cau-         Nessa época, já a primitiva fortificação havia sofrido
            dilho muladi*, Ibn Maruán, que se rebelando contra o     significativas alterações e melhoramentos. Na Idade
            emir de Córdova, no séc. IX, por ali decidiu criar um    Média, sobretudo a partir do século XIV, com a recons-
            refúgio, dele derivando também o seu nome.               trução do castelo por D. Dinis e a introdução da cerca
               Porém, a ocupação humana daquele local deve ser       urbana, a que se seguiram, depois, já provavelmente
            bem mais antiga, porventura remonta ao período pré-      no séc. XV, o acrescento de cubelos e a construção da
            -romano, primeiro como pequeno povoado fortificado       barbacã  e da cisterna grande  (no  castelo). Durante a
            e, posteriormente, já na época romana, como possível     Guerra da Restauração (1640-68), com a reparação
            atalaia da vizinha cidade de Ammaia, situada no vale     daquilo que já existia, mas que estava em ruínas e o
            a seus pés.                                              reforço, com baluartes, das zonas mais vulneráveis: as
                                                                     duas portas da vila, o Postigo do Torrejão ou do Sol e a
            Texto : TSup João Moreira Tavares                        zona norte do castelo. Criaram-se plataformas de tiro,
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