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46. Cultura & Lazer
ROTEIROS MILITARES
José Saramago ao visitar Marvão disse
que “De Marvão vê-se a terra toda…” e só
por isso e pela beleza natural subjacente,
a que se junta a arquitetónica, vale a pena
visitar esta pequena urbe que conserva e
concilia, e muito bem, as características
medievais iniciais com as de tempos mais
modernos, que nos levam, facilmente,
numa viagem ao passado. Esta poderá ter
início nas Portas do Ródão, um dos dois
acessos à vila.
Nesta entrada depara-se com o pos-
to de turismo, primeira paragem para
recolher toda a informação útil à visita.
Tem, então, duas opções. Subir logo ali
ao adarve** e percorrer toda a extensão
da cerca urbana, contemplando do lado
exterior a paisagem natural e do outro,
o baixo casario marcado pela alvura das
paredes e pelo tom avermelhado das
Vista aérea das escarpas e vila de Marvão, Fonte: Câmara Municipal de Marvão telhas ou optar por percorrer o traçado
longo e estreito das ruas da vila, tão característico de
Praça-Forte de Marvão um burgo medieval.
O Altaneiro Burgo Medieval Neste caso, comece descendo a Rua de Baixo. Mais
à frente, em diferentes pontos, sempre que o queira
fazer, poderá optar por subir às muralhas. Ambas as
Lendária pela sua inexpugnabilidade e pelo amplo opções irão conduzir às Portas da Vila, durante séculos
panorama que dela se desfruta, Marvão é uma das quatro o acesso principal à urbe, distinção que perdeu mais
praças-fortes que integra a candidatura à UNESCO de- recentemente para as do Ródão.
nominada Fortalezas Abaluartadas da Raia e é também Foi junto às Portas da Vila que se deu, em 1705, um
a última delas a constar nos nossos Roteiros Militares. combate que permitiu a recuperação de Marvão, ocu-
Construída lá bem no alto de um afloramento quart- pada por tropas espanholas, no contexto da Guerra da
zítico, parte integrante do Parque Natural da Serra de Sucessão de Espanha.
São Mamede, a sua fundação está associada a um cau- Nessa época, já a primitiva fortificação havia sofrido
dilho muladi*, Ibn Maruán, que se rebelando contra o significativas alterações e melhoramentos. Na Idade
emir de Córdova, no séc. IX, por ali decidiu criar um Média, sobretudo a partir do século XIV, com a recons-
refúgio, dele derivando também o seu nome. trução do castelo por D. Dinis e a introdução da cerca
Porém, a ocupação humana daquele local deve ser urbana, a que se seguiram, depois, já provavelmente
bem mais antiga, porventura remonta ao período pré- no séc. XV, o acrescento de cubelos e a construção da
-romano, primeiro como pequeno povoado fortificado barbacã e da cisterna grande (no castelo). Durante a
e, posteriormente, já na época romana, como possível Guerra da Restauração (1640-68), com a reparação
atalaia da vizinha cidade de Ammaia, situada no vale daquilo que já existia, mas que estava em ruínas e o
a seus pés. reforço, com baluartes, das zonas mais vulneráveis: as
duas portas da vila, o Postigo do Torrejão ou do Sol e a
Texto : TSup João Moreira Tavares zona norte do castelo. Criaram-se plataformas de tiro,

