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Cultura & Lazer .47
ROTEIROS MILITARES
introduziram-se canhoneiras para peças de artilharia e
acrescentaram-se guaritas nos ângulos das muralhas.
Transformações que se estenderam ao século XVIII.
Depois de passar as Portas da Vila continue, através
do adarve ou da Rua do Corro, para o lado sudeste da
fortaleza. Aí, delimitado por dois cubelos retangulares,
um dos quais com uma guarita, encontra-se o Postigo
do Torrejão, acesso menor que comunica com a barbacã.
Este pano da muralha é reforçado por obra, já do século
XVIII, tipo tenalha, denominada do Cubelo, composta
por dois baluartes irregulares.
Continuando o percurso, preferencialmente pelo
adarve, donde se tem a melhor vista, chega agora ao
lado poente da fortaleza, o mais escarpado e, por isso,
o mais inacessível do exterior, razão pela qual os mu-
ros aqui são de reduzida altura. Segundo o prior frei Portas do Ródão,
Miguel Viegas Bravo, autor das Memórias Paroquiais Fonte: Direção-Geral do Património Cultural/SIPA
de Marvão, em 1758, o muro servia “mais para não
deixar cair os de dentro, do que impedir a entrada aos
de fora”. Hoje não é diferente, por isso tenha cuidado
ao avançar pelo adarve.
Pelo caminho irá encontrar várias guaritas e um
pequeno jardim e a aproximação ao castelo é anuncia-
da pelas suas torres e muralhas e por outro aprazível
e maior jardim.
O ex-libris da praça-forte está agora diante de si.
Contemple-o e prepare-se para subir um pouco mais.
Ali ao lado, na Igreja de Santa Maria, está o museu
municipal. Não deixe de o visitar, pois também inte-
gra, nas suas coleções, alguma armaria, restos de um
passado outrora bélico.
O mais roqueiro dos castelos nacionais e monumen-
to nacional desde 1922 é composto por dois recintos Castelo,
distintos, mas contíguos, precedidos de uma entrada Fonte: Direção-Geral do Património Cultural/SIPA
fortemente defendida, dividida em três áreas. A pri-
meira é hoje facilmente transponível por ausência de a torre de menagem, a pequena cisterna, os antigos
porta. A segunda alberga no seu interior, as latrinas paióis e a Porta da Traição e por esta tem-se acesso ao
e a grande cisterna. Dois cubelos semicirculares es- baluarte de São João, o ponto mais a norte da fortaleza.
treitam e protegem a passagem à terceira área, que é Dois pequenos edifícios e dois cubelos completam o
dominada por uma torre quadrada – a da Bandeira – a segundo recinto.
que se acede através do primeiro recinto, o albacar, o Bom passeio!
maior e com uma planta irregular alongada, onde ainda
existem os antigos edifícios do forno do assento e do Notas:
* Natural da Península Ibérica islamizado ou nascido de um
Corpo da Guarda. O segundo recinto, muito menor, mas casamento misto cristão-muçulmano.
** Caminho no topo do lado interior de uma muralha, onde
o principal reduto defensivo de Marvão, é onde estão se circulava para vigiar e defender uma fortificação.
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