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Atualidades .35
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OPINIÃO
Sempre tive uma maneira simples Militar. Contra todas as probabilidades, a minha
e descomplexada de ver as coisas da determinação fez com que me admitissem a esta
derradeira prova. Dos vários Pelotões de forman-
vida e de alcançar os objetivos que dos, o meu era só de candidatas do sexo femini-
me proponho atingir. É desta forma no. O facto de termos todas a mesma condição
fez-nos mais fortes, mais determinadas e o espíri-
que estou a viver esta grande jornada to de camaradagem subsiste até hoje. Infelizmen-
nesta Instituição que me acolheu, que te nem todas terminaram com êxito esta prova,
º
me formou e que constantemente me tendo sido admitidas ao 1. ano da AM, nesse já
distante ano de 2003, apenas onze cadetes do
coloca grandes desafios pela frente.” sexo feminino.
O segundo desafio foi a escolha da Arma. Na
[Major de Cavalaria Fátima Costa]
época era feita no final do 1. ano. Ela poderia ter
º
sido influenciada pelo meu pai, que foi militar da
desde criança, até porque não tinha antecedentes Arma de Infantaria durante o seu serviço militar,
familiares nesta honrosa profissão. À exceção do mas não foi o caso. A decisão foi impulsionada
meu pai, que foi um ex-combatente da Guerra do por um ser especial que, ainda hoje, continua a
Ultramar e que nunca me falou do período da sua ser uma das minhas grandes motivações, refiro-
vida em que cumpriu o serviço militar. Só o fez -me ao Cavalo. A equitação no 1. ano, inexpli-
º
quando se convenceu que eu iria seguir a carreira cavelmente, pois nunca tinha tido contacto até
de Oficial. então com este animal, determinou a minha es-
A minha curiosidade pela carreira militar foi colha pela Arma de Cavalaria. Os valores como
espoletada pelo entusiasmo de dois amigos e co- a resiliência, a coragem, o animal (ou a viatura)
legas do Secundário, que me desafiaram a con-
correr com eles à AM. Tendo feito uma pesquisa
sobre como era a vida nesta Instituição e dada
a minha apetência para a atividade física decidi
avançar. O mais interessante neste início de his-
tória é que aqueles amigos, que tanto me entu-
siasmaram, acabaram por não concorrer e vi-me
sozinha a entrar por aquela Porta de Armas e a
abraçar o desconhecido. Era o meu destino!
Hoje fala-se muito das questões de género, no
entanto não me recordo que o facto de ser mu-
lher fosse um impedimento para mim de abraçar
uma profissão em que os seus profissionais são,
na sua maioria, homens. Sempre tive uma ma-
neira simples e descomplexada de ver as coisas
da vida e de alcançar os objetivos que me propo-
nho atingir. É desta forma que estou a viver esta
grande jornada nesta Instituição que me acolheu,
que me formou e que constantemente me coloca
grandes desafios pela frente.
O primeiro deles, durante o concurso de ad-
missão à AM, foi sem dúvida a Prova de Aptidão
JE 707 – MAR21
707_Mar21_JE.indb 35 05/07/2021 16:00:24

