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Cultura & Lazer .47
ROTEIROS MILITARES
Restam, ainda, quatro fortes para visitar. A oeste,
a caminho do mar, os fortes do Grilo e do Passo. Para
sul, na direção de Lisboa, os da Feiteira e da Archeira.
Está, pois, perante um dilema: por onde ir? Se o seu
destino final é para oeste ou quer terminar o passeio a
ver o pôr do sol no mar opte, primeiro, por ir aos for-
tes da Feiteira e da Archeira, para depois seguir para
os do Grilo e do Passo. Se a opção é rumar a sul faça o
inverso, visitando em primeiro lugar estes dois fortes.
O do Grilo está situado a sul de Ponte do Rol e de-
fendia o vale do Sizandro e a estrada para Mafra. Tinha
um posto telegráfico que o ligava a São Vicente. O For-
te do Passo, perto de Bececarias, destaca-se pelo seu
O CILT de Torres Vedras Fonte: RHLT velho moinho, que lhe serviu de paiol. Os da Feiteira e
Na Praça 25 de Abril, lembrando as provações e ho- da Archeira defendiam os vales de Runa e da Ribaldeira
menageando as gentes daquela época, encontra-se o e surgiram como reforço ao traçado inicial das Linhas,
monumento evocativo da Guerra Peninsular (1807/14). para colmatar uma estratégica lacuna defensiva. Com
Também ali estão a Igreja e o Convento de Nossa Se- o Forte de Catefica, seu vizinho, localizam-se na serra
nhora da Graça, que durante a 1.ª Invasão Francesa da Archeira. Todos acumulam já o desgaste de dois sé-
albergaram, respetivamente, um armazém do Comis- culos de existência, mas a vista que deles se tem jus-
sariado britânico e um hospital de campanha, e hoje tifica a visita.
acolhem o Museu Municipal Leonel Trindade, um es- Bom passeio!
paço dedicado à Arqueologia e à História do concelho
de Torres Vedras e que conta entre as suas exposições
uma dedicada à Guerra Peninsular.
Depois de os visitar siga em direção ao castelo, lo-
calizado no coração da antiga vila e não muito distan-
te. Dele foi alcaide o célebre D. Fuas Roupinho e nele
residiram diversos monarcas, entre os quais D. João I,
que aqui reuniu o Conselho para decidir sobre a con-
quista de Ceuta. Tal como em muitos outros casos, da
edificação medieval original já pouco resta. Apenas a
cerca oval e alguns vestígios românicos na Igreja de
Santa Maria, que fica intramuros. Ao chegar à porta
do castelo é inevitável reparar nas duas esferas armi-
lares que a encimam e decoram. Datam do reinado de As duas esferas armilares na entrada do Castelo de Torres Vedras
D. Manuel I, precisamente, a época em que ocorreram
as primeiras grandes obras que o adaptaram ao tiro de
artilharia. Depois de três séculos passados, em que a
ruína por lá se foi instalando, a edificação das Linhas
deu-lhe nova vida, pela importância da posição que
possuía os melhores ângulos de tiro da zona para a
artilharia, constituindo-se como o Forte n.º 27, dota- Fonte : RHLT
do de sete canhoneiras, uma bateria à barba e várias
obras defensivas.
JE 707– MAR21
707_Mar21_JE.indb 47 05/07/2021 16:00:39

